domingo, 11 de junho de 2017

[Lendo Teoria] Os excluídos da História - Michelle Perrot


Quando Michelle Perrot lançou o livro aqui ora comentado, muito demorou até que se fosse feita a tradução para o português do Brasil. A escritora que tem artigos dispersos por inúmeras revistas acadêmicas do mundo apresenta aqui em Os excluídos da História a oportunidade de vermos como os operários, mulheres e prisioneiros tem sido retratados na História.

        São 11 artigos, divididos em três partes dedicadas a cada coletividade que configura pessoas marcantes e ao mesmo tempo transgressores do seu lugar de enunciado, uma vez que operários, mulheres e prisioneiros era comumente vistos na história de um lugar e de uma posição passiva. É contra esta postura que Perrot argumenta e propõe uma análise e reflexão sensível a respeito de suas emancipações e problemas democráticos.
        Não é um livro de romance, de crônicas, poesia ou mesmo ficção. É um livro acadêmico, no qual os artigos aqui parecem se propor a ser uma espécie de composição histórica de suas classes, desde os tempos antigos.

A primeira parte, “OS OPERÁRIOS”, por exemplo, vai desde a posição e o lugar do operário nas máquinas francesas durante a primeira metade do século XX até o que a escritora denomina de “nascimento de um rito operário”, o qual a escritora conta a invenção do primeiro de maio (de 1980) e as reivindicações dos trabalhadores a partir de então.
É instigante saber como a pressão da comunidade desencadeou o processo de reconstrução dos valores e dos direitos dos trabalhadores. No artigo “O primeiro Primeiro de Maio na França de 1980” a acadêmica nos fala que “a escolha do primeiro de maio é mais enigmática e desde então tem sido intrigante. Essa data não corresponde inicialmente a nenhuma comemoração definida” (PERROT, p. 139). Mas apesar da interrogação, a escritora investiga e nos conta como surgiu este rito operário.
        Na primeira parte, Perrot ainda se detém a nos informar como era a vida do proletariado no início do século XIX, assim como também a vida da mulheres no chão das fábricas e a consequente relação existente entre operários e chefes, que, por sinal, nunca foi harmônica.
       
 É na segunda parte, MULHERES, porém, que a escritora indaga e mostra suas inquietações, enquanto mulher, da condição e dos atávicos costumes culturais que circundam a figura da mulher não só no meio familiar, mas sobretudo, no social. São artigos sempre atuais, que questionam e propõem uma discussão sobre a mulher. Inicialmente ela propõe uma discussão sobre a questão do poder, que se aproxima, nitidamente daquilo que Foucault propõe em sua obra.

“No singular, “poder” tem uma conotação política e designa basicamente a figura central, cardeal do Estado, que comumente se supõe masculina. No plural, ele se estilhaça em fragmentos múltiplos, equivalente a “influências” difusas e periféricas, em que as mulheres tem sua grande parcela. Se elas não tem o poder, as mulheres tem, diz-se, poderes. “ (PERROT, p. 177)

        Perrot, portanto, não desenvolve em seus artigos uma visão somente das mulheres enquanto rainhas do lar, mas sim rainhas da noite, a mulher popular, rebelde, um risco para a masculinidade. Perrot narra, no capítulo 7, que a “exclusão feminina é ainda mais forte. Quantitativamente escasso, o texto feminino é estritamente especificado: livros de cozinha, manuais de pedagogia” são formas de controle e poder. É uma das partes mais encantadoras do livro quando ela nos apresenta de forma tão clara e concisa como a mulher transgrediu esses padrões até o momento impostos e passado a uma posição mais emancipadora. São questões que vão desde “o dono de casa”, posição masculina do espaço doméstico, até a questão administrativa do salário.
        A terceira e última parte do livro é apresentada reflexões acerca dos PRISIONEIROS e o sistema penitenciário, espaço construído e reproduzido para somente punir os detentos e delinquentes. Porém, ao tempo que Perrot expõe a situação dos prisioneiros no período do século XIX e das Belle Époque, da França, as coisas aparecem mais atuais do que nunca. Nada de muito novo há.

É um livro excelente não só para os pesquisadores de História, mas também para os cientistas sociais ou até mesmo graduandos de outras áreas que queiram ler mais a respeito da trajetória dos operários, das mulheres e dos prisioneiros.

Felizmente a Editora Paz e Terra reeditou a coletânea de artigos da obra que apresentou a acadêmica ao Brasil. Com introdução de Maria Stella Martins Bresciani, o livro é uma rica fonte de pesquisa neste tempo no qual a discussão sobre gênero, trabalhadores e seus direitos (vide a discussão acerca da reforma da CLT no Brasil) e os debates sobre o sistema carcerário nunca foram deixados de lado por serem tão atuais. São de fato os excluídos da História que ocupam aqui o lugar preponderante de discussão teórica politizada.


Sobre a autora:
Michelle Perrot, nascida em França em 1928 é professora emérita de História Contemporânea na Universidade Paris-VII e, a mais ilustre historiadora da vida das mulheres, sendo co-autora de uma monumental História das Mulheres no Ocidente, de parceria com Georges Duby – obra em cinco volumes, já editada em diversas línguas, incluindo o português.
O percurso de Michelle Perrot na trilha da História das Mulheres, segundo depoimentos de suas alunas, hoje professoras e pesquisadoras,2 parece ter começado em 1973, quando, doutora em História, docente na Paris VII - Denis Diderot, ministrou um curso chamado "As mulheres têm uma História?", no qual apresentava temas possíveis de pesquisa para os trabalhos de conclusão de curso dos/as estudantes. Esse curso e os trabalhos dele resultantes proporcionaram material para a publicação da coletânea Une histoire de femmes, est-elle possible?, publicado, na França, em 1984, pela Rivages. Tal percurso de pesquisa levaria Michelle Perrot a tornar-se conhecida internacionalmente, não somente por seus trabalhos, mas, também, pelas/os estudantes que orientou em suas teses de doutorado. Muitos desses trabalhos orientados tornaram-se livros, os quais contam, muitas vezes, com prefácios e apresentações escritos por ela, fazendo periodicamente um balanço das pesquisas na área.

 REFERÊNCIAS:

PERROT, Michelle. O excluídos da história: operários, mulheres e prisioneiros. Tradução de Denise Bottmann. 7ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2007

domingo, 4 de junho de 2017

ANITA: UMA VIDA PELOS OLHOS DE OUTRO



     SINOPSE: "Neste romance repleto de beleza literária e cores realistas, tão chocante quanto maravilhoso, tão particular quanto universal, Thales Guaracy olha Anita pelos olhos de Giuseppe Garibaldi, a única pessoa que testemunhou por completo a vida da revolucionária. E, assim, desvenda e nos apresenta, com estilo único, pessoal e emocionante,a mulher que se atira sozinha sobre o exército inimigo; que corta os cabelos do marido por ciúme e o ameça com um par de pistolas; que abandona os próprios filhos entre os desconhecidos para atravessar um país conflagrado, escondida sob as cartas de um carro de correio, até uma cidade sitiada. E que aprendeu que "as causas perdidas são as mais certas", tornando-se uma das mais extraordinárias personagens da história, considerada " a heroína de dois mundos", a precursora e símbolo do feminismo, representação de mulher forte e independente. Ovacionada nas ruas pelo povo, ou no teatro pela fina flor da sociedade italiana; de arma em punho, ou prisioneira de guerra, grávida, febril e exangue, mas ainda altiva, Anita Garibaldi é sempre Anita: mãe, amante, revolucionária. A mulher que levou às últimas consequências o sentido do amor, do heroísmo e da própria vida."


        Neste romance, o jornalista Thales Guaracy revela informações sobre o casal de revolucionários Giuseppe e Anita Garibaldi. Através das memórias do homem podemos pincelar um retrato de quem foi a mulher, seus anseios, suas vontades, sua personalidade e importância para o movimento revolucionário.
     Nascida Ana Maria de Jesus Ribeiro, Anita assumiu o nome diferente no momento em que conheceu Giuseppe. Ansiosa por liberdade e independência via no nome um marco para a nova vida, como se estivesse adormecida, a espera do verdadeiro nome para despertar. Anita seguiu Giuseppe desde o primeiro momento. Para ela não existia diferença entre homem e mulher, na vida e na guerra todos eram iguais. Embora tenha sido educada para a vida doméstica, Anita sempre demonstrou pouco apreço por isso. Enquanto esposa e mãe, era perfeitamente capaz e sabia cumprir ambas as funções. Entretanto só era plena quando estava no combate, não era pessoa que se contentava em ser coadjuvante na história. Dizia que "para ser feliz é preciso ter liberdade; para ter liberdade, é preciso lutar"(p.50)
    Enquanto companheira de Giuseppe, o que mais chama atenção e causa admiração no relacionamento de ambos é a cumplicidade do casal. No amor e na guerra se tratavam como iguais e tinham muito respeito e admiração pelo outro. Anita era sonhadora e tinha ideias de justiça tanto quanto ele. Na presença dela e por causa dela, ele ganhava confiança e crescia. Nos momentos difíceis, Anita conseguia dar ânimo às tropas. 
      Se você gosta de história, vai ter grata surpresa com este livro. Acompanhamos de perto Giuseppe nos conflitos dos quais participou: desde à Revolução Farroupilha à Guerra da Independência Italiana. Ponto positivo para Guaracy que, embora tenha proposto um romance para falar sobre Anita, nos mostra em sua narrativa as aventuras e desventuras de Giuseppe. Dessa forma o romance não é apenas sobre ela, mas sobre ele também, tratados ora em suas individualidades, ora como uma unidade, casal pleno e forte.



Sobre o autor: nascido em 1964 no bairro da Liberdade, em São Paulo, é escritor, jornalista e editor. Trabalhou como repórter em jornais como Gazeta Mercantil e O Estado de São Paulo, além da revista  Exame. Foi repórter especial e editor de assuntos nacionais na Veja, participou ativamente do período de transição da ditadura militar para o regime democrático, ganhando um prêmio Esso de jornalismo político em 1989, pelo trabalho de sua equipe na cobertura da primeira eleição direta para a presidência do Brasil em 30 anos. 

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Melville e a vida metalinguística de Bartleby, o escrivão

Melville parece estar em alta para o mercado editorial. Só recentemente foram lançadas 3 traduções de Bartleby, sem contar as independentes; foi lançada também Jaqueta Branca, romance inédito em terras tupiniquins, dentre outras edições do clássico Moby Dick. Melville é o clássico autor de Moby Dick, que caudalosamente trata em seu romance homônimo até onde o ser humano pode ir com a experiência da vingança.
 
Enquanto que a Editora Grua classifica a obra como uma novela, A Autêntica classifica-a como um conto. Esta edição aqui comentada e lida é classificada pela Editora José Olympio como um romance americano. É aqui, pois, que reside uma aporia acadêmica na qual eu gostaria de me ater antes de adentrar mais especificamente na obra. Seja como for, na presente edição, apresentada pelo grande ficcionista Jorge Luis Borges, o qual categoriza afirmando que "Bartleby já define um gênero que Franz Kafka reinventaria e aprofundaria a partir de 1919: o das fantasias do comportamento e sentimento ou, como agora lamentavelmente se diz, psicológicas."

Deleuze (1997) ainda afirma em Crítica e Clínica que

Bartleby não é uma metáfora do escritor, nem símbolo de coisa alguma. É um texto violentamente cômico, e o cômico sempre e literal. É como uma novela de Kleist, de Dostoievski, de Kafka ou Beckett, com os quais forma uma linhagem subterrânea e prestigiosa. Quer dizer aquilo que diz, literalmente. E o que ele diz e repete e PREFERIRIA NAO, I would prefer not to. É a formula de sua glória, e cada leitor apaixonado a repete por seu turno. Um homem magro e lívido pronunciou a formula que enlouquece todo o mundo.

Explanado isso, vamos à obra.
 
 A narrativa (vamos doravante assim chamá-la diante da questão dos gêneros), apresenta alguns problemas pertinentes à nossa vida peculiar de um cotidiano infernalmente preenchido de trabalho. O personagem narrador da obra, um advogado de sucesso em Wall Street apresenta-nos um curioso escritório no qual trabalham figuras excêntricas e peculiares. No início da narrativa (pág. 14), o narrador nos adverte que “não há material suficiente para uma biografia completa e satisfatória desse homem (Bartleby)”. Assim, de acordo com o advogado, a sua história é um documento literários, não moral, legal ou pessoal.
Melville pega um fato corriqueiro (a contratação de um funcionário) e transforma isso em uma pérola literária. O simples fato do personagem homônimo à obra postergar sempre suas atividades revela como somos parecidos com ele no cotidiano.
A história desenrola-se na cidade de Nova York, mais ou menos no final do século XIX, mais precisamente no famoso centro comercial Wall Street, daí o subtítulo da obra que algumas editoras usam. A narrativa tem como espaço predominante o escritório do advogado, que é o narrador do livro. Com ele trabalham três auxiliares que lhe ajudam na escrituração e cópia de documentações: Nippers, Turkey, e um garoto esperto e carismático Ginger Nut.
Cada um desses personagens contém em si características que o fazem ser cômicas no início. Desde um que muda de humor conforme o horário até aquele que, zangado, bate com os punhos na mesa de madeira. São pessoas em sua maioria simples, mas que trazem em si o germe de uma ambiência carregada de mistério. Nippers possui indisposição intestinal e por isso comete muitos erros nas cópias. Turkey, age de forma (in)diferente no turno da tarde. Inclusive o advogado já tentara demiti-lo, mas não obteve sucesso, de modo que o funcionário continuou no escritório, mas com alterações de tarefas. Com o acúmulo de trabalho, já que o advogado é nomeado como Oficial do Arquivo Público, ele vê a necessidade de contratar mais um funcionário como copista. É aqui, pois, que entra em cena, o misterioso e excêntrico Bartleby.
Para equilibrar o clima organizacional do escritório, o advogado prefere colocar o biombo de Bartleby perto de sua mesa, deixando os demais funcionários no outro lado da sala separada por uma parede de vidro. Com isso, a presenta de um homem mais sério seria a justificativa para o advogado harmonizar o humor. No entanto, Bartleby reage quase sempre com uma frase lacônica e negativa aos pedidos do patrão; “Preferia não fazê-lo”.

        Atônito, o narrador assiste àquelas declarações do funcionário que se nega, por exemplo, a conferir a cópia da escritura que ele mesmo fizera antes. Como uma oração, Bartleby vai respondendo sempre que solicitado e assim vai mudando a estrutura burocrática do escritório, uma vez que os demais funcionários questionam e reclamam. No decorrer da narrativa não sabemos onde Bartleby mora, nem o que come, já que ele nunca sai nos intervalos para fazer refeição. Mas um dia o advogado descobre que Bartleby reside no próprio escritório. Perplexo, ele tenta dialogar com Bartleby e pede que ele conte de sua vida, pois ele só quer ajuda-lo. Bartleby, porém, nada responde, a não ser o seu código de “preferia não fazê-lo”. Algo de kafkiano existe nessa personagem que, incapaz de responder de forma objetiva, carrega em si uma certa melancolia.
        O advogado decide, assim que tem a oportunidade, de conversar com o escrivão. Esta conversa culmina com a demissão de Bartleby que, claro, nega-se a sair do escritório, pois “prefere não fazê-lo”.
        A partir de então, a narrativa fica cada vez mais kafkiana. Ainda que o advogado mude de endereço, demita Bartleby, ele se faz sempre presente na rotina do advogado, pois mesmo no outro local de trabalho, o advogado é solicitado pelo novo inquilino do antigo prédio do seu escritório a responsabilizar-se pela saída de Bartleby, pois ele se recusava a sair do lugar onde estava. Assim, sem saída, várias pessoas do prédio se reúnem e pedem a prisão de Bartleby.
        O advogado sempre acompanhou Bartleby, dando-lhe auxílio, mesmo que de forma indireta. Muito tempo depois, o narrador descobre que Bartleby fui funcionário do Setor de Cartas Devolvidas dos Correios, em Washington, do qual fora afastado por mudanças na administração. Um espanto abate sobre o narrador que questiona a metaforização da profissão à personalidade do escrivão: um encarregado de encontrar nas cartas extraviadas o seu trabalho sustentável. Coerente com o homem perdido, sem esperança que é Bartleby.
Temos quase sempre a impressão de que “algo vai acontecer agora...”, quando na verdade o inusitado já está acontecendo na narrativa. 
O que acontece no final da narrativa seria spoiler, mas não surpreende muito o leitor o fato de um personagem introspecto e sisudo adotar uma postura maquinaria no dia a dia. O final de Bartleby é triste e evidente, mas como o próprio narrador nos fala, ele é a humanidade e a ela se dirige representando-a.
        Com a excelente tradução de A.B. Pinheiro de Lemos, a Editora José Olympio prossegue com o seu trabalho de proporcionar ao leitor brasileiro boas edições de clássicos da literatura universal. A capa reflete bem a atmosfera do livro e a atitude do escrivão que leva o título da obra.

SOBRE O AUTOR:
 

Nascido em 1819, em Nova York, Herman Melville desde jovem sonhou ardentemente em correr mundo. Obrigado a trabalhar por motivo de falecimento do pai, o futuro viajante exerceu vários empregos modestos, até fazer sua primeira viagem, à Inglaterra, quando tinha apenas quinze anos, e em 1841 já se dirigia aos Mares do Sul. Foi capturado pelos selvagens de uma das ilhas daquelas longínquas paragens, de onde conseguiu fugir para o Taiti. A fim de garantir seu sustento ao regressar aos Estados Unidos, aceitou um emprego na Alfândega de Nova York, lá trabalhando de 1866 a 1885. Morreu em 1891 na mesma cidade onde nascera. Virtualmente ignorado em seus próprios dias, Herman Melville teve o valor de sua obra literária reconhecido pelos críticos dos anos 1920, que o consideraram um dos maiores escritores do século XIX.


CURIOSIDADES:

Em março do ano de 1853, o escritor americano Herman Melville publica pela primeira vez, na Putnam’s Monthly Magazine, de Nova York, seu famoso conto (?) “Bartleby”, traduzido para a língua portuguesa como “Bartleby, o escrivão”.
O estudioso Johannes Dietrich Bergmann assinalou semelhanças entre "Bartleby" e The Lawyer's Story , um romance sobre um advogado e um scrivener problemático serializado noSunday Dispatch em 1853. De acordo com Bergmann, "TheBartleby" foi publicado em 1853 em duas partes nas edições de novembro e dezembro da Revista de Putnam , anonimamente, sem nenhuma nota sobre o gênero. 

INDICAÇÕES:

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FONTES:
KAHN, Andrew. Bartleby, o escrevente. SLATE, 22/10/2015. Acesso em 03 de maio de 2017.  Disponível em http://www.slate.com/articles/arts/culturebox/2015/10/herman_melville_s_bartleby_the_scrivener_an_interactive_annotated_text.html
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