quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Coleção Grandes Nomes da Literatura


A Coleção Folha Grandes Nomes da Literatura traz ao público 28 ilustres autores da literatura mundial cujos clássicos marcaram gerações de leitores. Entre eles estão Machado de Assis, Fernando Pessoa, Eça de Queirós, Oscar Wilde, Virginia Woolf, Joseph Conrad, Tolstói e outros renomados autores.


 Os títulos da coleção são os seguintes:

Marcel Proust - A fugitiva

F. Scott Fitzgerald - O curioso caso de Benjamin Button

Aldous Huxley - Admirável mundo novo

Lev Tolstói - A morte de Ivan Ilitch

Clarice Lispector - Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres

Oscar Wilde - O retrato de Dorian Gray

Fiódor Dostoiévski - Memórias do subsolo

James Joyce - Retrato do artista quando jovem

Luigi Pirandello - O marido dela

Virginia Woolf - Mrs. Dalloway

Edgar Allan Poe - Assassinatos na rua Morgue e outras histórias

Hilda Hilst - A obscena senhora D

Franz Kafka - A metamorfose

Herta Müller - O compromisso

Johann Wolfgang von Goethe - Os sofrimentos do jovem Werther

Samuel Beckett - Malone morre

W. Somerset Maugham - Férias de natal

Machado de Assis - Memórias póstumas de Brás Cubas 

Joseph Conrad - O coração das trevas

Adolfo Bioy Casares - A invenção de Morel

Honoré de Balzac - O pai Goriot

Sylvia Plath - A redoma de vidro

Ray Bradbury - Fahrenheit 451

Fernando Pessoa - Livro do desassossego

Graham Greene - americano tranquilo

Stendhal - A cartuxa de Parma

Alice Munro - Ódio, amizade, namoro, amor, casamento

Eça de Queirós - O crime do padre Amaro

Todos os Livros tem a dimensão de 14 cm x 21 cm, foram feitos em com Capa dura, cartão 18 e revestimento em papel Couche Brilho 150 g/m² com laminação fosca. Os livros tem paginações variadas, de acordo com cada obra. A  Impressão é em papel Avena 80g/m² - impressão 1x1 cor - costurado a linha.
 



COLEÇÃO linda para se ostentar na estante.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Sobre a dilacerante fome


Autor de uma gigantesca obra que mescla reflexão com ficção, Martín Caparrós, jornalista argentino, empreende uma obra que se torne ícone para nossos tempos atuais. Esta obra é A Fome (El hambre, Tradução de Luis carlos Cabral, Editora Bertrand Brasil, 714 páginas, R$69,90), onde ele escreve, reescreve, demonstra sua visão crítica e cética com relação alguns fatos deste mundo que muitas vezes é cruel. 
 


Inicialmente temos as constatações e observações de um jornalista, a visão de um profissional que não observa a distância os fatos, mas propõe um debate, uma reflexão no leitor, apontando origem, razões e prováveis soluções para o problema da fome em todo o mundo. Mas por que existe fome, essa estranha palavra também chamada de hambruna? Suscintamente, Caparrós responde: “Existe fome, porque há milhões em situação de pobreza extrema. A primeira questã
o deriva de uma série de fatores, a segunda dos seus efeitos”.

O autor também revela a visão que tende um pouco à antropologia, uma vez que ele não deixa de ressaltar a natureza humana e abranger suas dimensões em suas múltiplas totalidades. Caparrós torna-nos ouvintes em suas inúmeras entrevistas realizadas, dá voz aos famintos, aos agonizantes, expõe os horrores que levam os pobres ao extremo estado animalesco, tal como um gato que come pelo chão. É uma narrativa visceral, angustiante, penosa e muito, muito dolorosa, onde por meio das interações e entrevistas que o autor proporciona na leitura, percebemos como inúmeras pessoas, sem perspectivas de vida tentam viver resignadas, contando um pouco sustento: uma água fervend
o com galhos de árvore, bolinhas feitas com pasta de milho. 
Livro A Fome
Dando voz aos que não a tem, Caparrós desperta em nós, leitores, muitas vezes meros observadores da tragédia produto do capitalismo. A exposição de corpos famintos na televisão choca, as imagens estampadas em jornais e revistas emudece, mas as descrições do livro de Caparrós estão carregadas de sofrimento que nos deixa indignados, arrepiados e despertos. Não dá para ficarmos apenas sentado na poltrona lendo ou assistindo sobre. O autor também, de modo, implícito, incita-nos à assistência.

Assim, o autor contextualiza a fome da América à Ásia, da África ao Oriente Médio para falar que a fome existe na Nigéria, no Sudão do Sul, no Estados Unidos da América, na Índia, na Argentina e outros países. Não importa o lugar, a sensação é a mesma: fome. Transitando entre ermas aldeias, lixões, comunidades longínquas e remotas a fim de analisar esta epidemia, Caparrós traz-nos uma realidade política não tão desconhecida assim, mas contraditória. Ela não é intrínseca aos países mais pobres. Não é uma questão geográfica, histórica ou climática, como apontam as tabelas de excel de pesquisas ou estudos. É uma epidemia que convive até mesmo com os mais desenvolvidos. É sobretudo nos meios de maior riqueza onde há, na base piramidal, os pobres, os quais necessitam serem recolocados na sociedade como seres humanos, onde sua dignidade humana não seja ferida.

Para comprovar que essa questão é mais política que estruturalmente geográfica, Caparrós conecta os relatos de pessoas aos estudos geográficos, análises geopolíticas, pesquisas acadêmicas e histórias a fim de desmitificar falácias sobre a fome, uma vez que o autor denuncia e apresenta saídas possíveis para a fome. Assim, o autor enfatiza que as formas de governo têm propiciado essa política de exploração: “Governar é explorar a ignorância comum para explorar a sua própria”.

Caparrós empreende uma investigação que objetiva identificar os culpados (ou menos culpados), assim como também apresenta quem são os famintos. Estes, o autor apresenta muito bem. Àqueles, o autor dá um lugar de culpa: desperdício de alimentos, excesso de capitais nas mãos de poucos, má gestão de economia e programas de governo e ainda a posição religiosa.

São 3 milhões o número de crianças que morrem de fome ou doenças e ela relacionadas. Caparrós indica que ocorrem 25 mil mortes por dia em todo o mundo. São números assustadores que nos convidam à reflexão sobre o fato de estarmos agora, talvez, nos alimentando em quando dezenas de pessoas morrem de fome.

Excelente obra de referência, o livro A Fome dá-nos um tapa na cara e nos mostra que o mundo é tão mais difícil de entender quanto imaginamos: inanição, pessoas que morrem por terem-lhe negado o direito de viver, de comer e dados estatísticos que nos convencem que nem a guerra matou mais gente que a fome.

Não é um livro indicado para qualquer leitor. O livro de Caparrós exige de nós empatia, mas também nos cobra força para ler uma página e mesmo assim, depois de ter lido dores e ter imaginado mortes, continuar as páginas seguintes até culminar num fim que não é feliz. É um livro indicado para estudos, consultas e àqueles que desejam propor um debate acerca do assunto. 
 

 
A editora Bertrand Brasil imprimiu na capa uma foto que exprime tanta, mas tanta compaixão que não imaginamos que a descrição das imagens é bem pior que a foto. Neste caso, o ditado não é conveniente: mais valem as 700 páginas do que uma imagem.
 
 
 
 
Sobre o autor:
Martín Caparrós nasceu em Buenos Aires, em 1957, formou-se em História em Paris, viveu em Madri e Nova York, dirigiu revistas literárias e de culinária, percorreu meio mundo, traduziu Voltaire, Shakespeare e Quevedo. Ganhou prêmios Planeta Latinoamérica, Rei da Espanha, Herralde de Romance e uma bolsa da Fundação Guggenheim. É autor de cerca de trinta livros.

Leia um trecho do livro aqui.


Fontes:
http://ionline.sapo.pt/509399
https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/a-fome-nao-sao-so-os-outros-1731408 
El Pais
http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/2016/07/1791832-livro-traz-resultado-de-investigacao-jornalistica-sobre-a-fome-no-mundo.shtml

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O frágil toque dos mutilados - Alex Sens


 *Resenha elaborada pela colabora Rosir Ene Paz
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 O frágil toque dos mutilados, romance de estreia do jovem escritor Alex Sens, é um misto de laços de famílias, dor e angústia.




O título por si, atrai, chama a atenção e insinua poesia. A cada página lida uma mistura de amor e ódio por alguns dos personagens tomava de conta, tentar entender o que cada um sentia, me envolvia e no final pude perceber que assim como Magnólia, Herbert, Elisa, Orlando, Tomas, Muriel e muitos outros personagens, somos envoltos a uma teia que liga nossas histórias, vidas, dores e que temos medo de encarar a realidade, de encarar nossas fraquezas e angústias. Temos nossos demônios internos e a verdade, que às vezes liberta, também aprisiona. Sintam se convidados a ler O toque frágil dos mutilados e assim como eu, encontrar em cada personagem um pedacinho de mim mesma. 
A história conta a trajetória de vida que envolve esses personagens citados logo acima, uma família envolta por sentimentos incompreendidos, abraços guardados, amores abafados, verdades não ditas. Um alcoólatra, uma com transtorno de personalidade, um alheio ao que acontece à sua volta (ou que assim como eu, leva a vida de forma: “deixa a vida me levar, talvez assim não enlouqueço”), uma que busca através da força do universo e de mantras encontrar respostas para tudo que acontece, duas crianças perdidas em seu próprio mundo e alguns amigos que vivenciam da vida desses.
Magnólia e Herbert casados ha pouco tempo resolvem aproveitar as férias e se reunir a Orlando e seus filhos, Tomaz e Muriel, dois adolescentes que moram com o pai em uma casa de praia e que carregam a dor de ter perdido a mãe a pouco mais de um ano. A visita da irmã e do cunhado é aguardada por Orlando, já que faz alguns anos que não se veem. Logo, ter a irmã por perto traria uma sensação de alegria e ao mesmo tempo tensão para Orlando, pois sabe que ela é uma mulher difícil de ser agradada. Orlando vive em um conflito interno constante, aceitar a morte da esposa é difícil, buscou no álcool um refúgio para sua dor e apenas conseguiu se afastar dos amigos e da sua profissão. Magnólia é uma mulher intensa, direta, uma sommelier apaixonada pelo aroma e gosto dos mais requintados vinhos, que trava uma batalha interna por conta do transtorno de personalidade levando a todos a sua volta a andarem sobre minas, pois a qualquer momento pode explodir. Herbert é um homem passivo, distante, que vive no seu mundo de pesquisas sobre Virginia Woolf (escritora inglesa, que se suicidou decorrente de uma depressão). Aliás, há fortes influências da escritora na narrativa arquitetada por Alex Sens, que amarrando muito bem as histórias, conduz-a rumo à coerência.
Herbert não conhece a família da esposa, mas sabe dos problemas vividos pelo cunhado e da angustia que Magnólia vivencia desde que decidiu passar um tempo com o irmão e os sobrinhos, Magnólia não esteve presente no velório da cunhada Sara, mas passou inúmeras noites em claro ouvindo o irmão, embriagado, chorar sua dor.  A recepção foi feita de maneira carinhosa, a convivência com a família, o retorno à sua antiga cidade e o reencontro com pessoas que fazem parte do seu passado, dão a Magnólia a vontade de se libertar dos medicamentos controlados que toma diariamente e passe  a se permitir a beber os vinhos que fora presenteada pelo irmão. A chegada de mais uma visita na casa, aumenta a tensão entre todos, Elisa, a irmã mais nova de Magnólia, e a qual mantém certo distanciamento e certos rancores, o convívio entre as duas não é nada fácil, apesar do amor fraterno que sentem, há um muro invisível que as separa.
A convivência entre os irmãos faz com que desencadeei sentimentos e recordações guardadas. Orlando se encontra alegre e ao mesmo tempo tenso, se isolando na garagem onde pinta seus quadros para uma exposição organizada por Laura a quem tem um flerte e que antipatiza com Magnólia. Laura é uma mulher solteira que faz eventos culturais, o mais recente é a exposição de quadros de pintores locais que será realizado no restaurante de Lorenzo, irmão da mesma e de Tadeu, tio de Elieser, o típico solteirão convicto, um homem encantador que irá despertar uma paixão intensa e atormentar mais ainda os pensamentos de Magnólia.
Os ânimos na casa de Orlando não andam tão animados, as constantes crises de Magnólia afetam toda a família, até mesmo o passivo Herbert já demonstra cansaço e vontade de ir embora, acreditando que não tenha sido uma boa ideia a visita e o reencontro com passado. Durante a exposição dos quadros de Orlando, Magnólia e Lorenzo se beijam e ambos deixam claro o interesse que sentem um pelo outro, alheio a esse encontro Herbert se diverte na exposição, Orlando tem uma discussão com Laura, Tomas e Elieser fortalecem a amizade, Muriel chora pela lembrança da mãe falecida, o que era para ser uma noite de comemorações se tornou uma tormenta para Orlando. Após ver em um dos quadros de outro pintor, imagens que o abalaram profundamente.
Situações tensas iniciam a partir de então, a sobrecarga emocional aumenta rumo a uma espécie de catarse, onde a epifania de personagens conduz a narrativa a uma similaridade com a tragédia. Orlando procura manter um clima ameno para que a irmã mais nova não se sobrecarregue. O grupo de apoio AA faz uma reunião na casa de Orlando, para comemorarem o suposto afastamento da bebida por parte de Orlando. Contar o que vem adiante seria spoiler.
É um livro interessante, a leitura não é cansativa e você pode odiar a princípio cada personagem, mas depois entende que o eles buscam é o mesmo que todos nós buscamos: paz, felicidade e o aconchego da família e dos amigos. Alex Sens é um jovem escritor de sucesso, que com certeza irá atrair diversos leitores que assim como eu, nem um pouco apta a fazer resenhas se sentirão empolgados a falar dos livros desse escritor, seja no gênero drama como este de O frágil toque dos mutilados ou a qualquer outro que venham a ler.
A excelente edição da Autêntica com a capa refletindo a atmosfera da narrativa mostra que o livro de Alex Sens nasceu com potência de um clássico.

Sobre o autor: Alex Sens  é escritor, nascido no ano de 1988 em Florianópolis, SC, e radicado em Minas Gerais. Publicou Esdrúxulas, pequeno livro de contos de humor negro e realismo mágico, seguido pelo livro artesanal Trincada. Teve contos e poemas publicados em sete coletâneas e em revistas literárias virtuais, assim como resenhas de livros, entrevistas e críticas em sites de jornalismo cultural. O frágil toque dos mutilados, seu romance de estreia, venceu o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura 2012 na categoria Jovem Escritor.

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